Edição 67 — Janeiro 2012

Edição 67 — Janeiro 2012

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Conteúdos em texto da edição 67 — Janeiro 2012

 

Página 1

Abuso de estrangeirismos mostra apenas que somos de uma jequice sem tamanho

Opinião de Jefferson Severino
Jornalista especializado em turismo baseado no Estado de Santa Catariona

Andando pelas ruas do Brasil, deparo com todo tipo de coisas, cores, sabores, temperos, gente… Mas, de repente, um imenso “Adidas Outlet” atrai minha atenção. E, olhando para dentro da loja, percebo que ela estava apinhada de gente com caixas, sacolas e outras coisas mais. Pelo movimento intenso, deduzi que os preços estavam baixos. Resolvi entrar. E já vejo que as divisões do estabelecimento são marcadas com “Men Training”, “Woman Training”, “Running”, “Outdoor”, “Shoes” etc.

Caminhando entre as seções, ouvi alguém falando “Craro, minha fia.” Outra exclamava: “Aaaiii… Qui chic!” Perto do Caixa: “Tô cum poblema nu cartão.” Próximo às Entregas: “Sigura a sacola.” Já saindo, gente entrando e soltando essa pérola: “Vô cumprá menas coisa hoje.”  Não há dúvidas: demonstrações inequívocas de imensa familiaridade com a língua portuguesa. Assistindo estarrecido a tudo aquilo me veio à mente o pensamento de que o brasileiro é um povo prostituído e prostituível.

Náo temos qulaquer estima pelas coisas verdadeiramente preciosas do nosso País, como a língua pátria. Instalar uma loja de roupas e calçados esportivos em uma rua qualquer de nossa Nação e tacar lá uma porção de placas com termos em inglês deveria causar, pelo menos, um incômodo às pessoas. Afinal de contas, independentemente, da nacionalidade de uma marca, é demonstração de respeito para com o país na qual se instala que anuncie todos os seus produtos apenas no idioma local.

Que nada! Os nvos ricos — e os velhos, também — gostam de vitrines que exibem “50% Off”. Acham que é “chic” comprar “shoes” e praticar atividades “outdoor”, mesmo não conseguindo escrever um texto de três linhas ou manter um mínimo diálogo usando o inglês. Na Web, então, é uma febre: português sofrível, errado, repetindo chavões ridículos, entremeado de frases feitas contrabandeadas só para tentar passar aos outros o quanto são “refinadas” e “elegantes”.

Isso sem contar a mania de, no meio de frases da última flor do Lácio, enfiar nojeiras como “hello”, “yes”, “I think that” e outras breguices típicas de um povo com autoestima zero e sem respeito próprio. Sei que esse tipo de gente não aprecia muito receber conselhos, mas, de qualquer maneira, os darei. É ridículo, cafona, caricato, campônio (no sentido ruim que ela exprime, jeca, enodoado, filaucioso, iludente etc. usar estrangeirismos para se comunicar com seus iguais.

A boa etiqueta recomenda que, em terra alheia, se fale, diante dos nativos, como eles, mesmo nos dirigindo a alguém que sabe nosso vernáculo natal. Quando estrangeiros radicados aqui se comunicam entre si, diante de nós, no dialeto deles, é uma estrondosa demonstração de falta de educação e de respeito. Da mesma forma, brasileiros nos Estados Unidos ou Inglaterra, com norte-americanos ou ingleses presentes à conversa, tentem falar como eles, mesmo com dificuldade.

Brasileiros aqui dentro, via celular ou computador, trocando mensagens em inglês, espanhol, chinês, japonês ou qualquer outra língua é caipira demais. Não demonstra cultura, mas extrema falta de intimidade com as regras básicas da etiqueta e da cordialidade, além de ser uma forma de depreciar a própria cultura. Para mim, marca que estampa “outlet” em lojas nas nossas cidades começa mal. O que deveria ser usado é “saldão”, “queima de estoque”, “liquidação” ou coisa equivalente.

Também não tem essa de “off”. É “desconto” mesmo. E não uso “shoes”, e sim tênis; não uso “costume”, e sim “roupa”; não pratico esporte “outdoor”, e sim “esportes ao ar livre”. Ah! Estava esquecendo: os preços do tal “outlet” eram mesmo uma “drug”. Propaganda enganosa. Um assalto de tão caro. Não comprei nada. Para concluir, sugiro que, se há sinônimo local para o importado, que tal aportuguesar. Foi assim que surgiram futebol, vôlei, biquini, garçom, coquetel, drinque…

Página 2

Comentários dos leitores

Parabéns pela excelência e qualidade da matéria sobre a criação do primeiro Convetion Bureau no mundo. Ficamos gratos por nos ter cedido o conteúdo da mesma, para inclusão no site da nossa entidade.

Maely Coelho
Presidente do Espírito Santo Convention & Visitors Bureau

Gostei de toda a edição de dezembro, mas especialmente de duas matérias: a da primeira página, sobre a confusão que pessoas fazem entre Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, e Vitória da Conquista, cidade do interior do Estado da Bahia; e o artigo do Ives Gandra Martins, sobre ser branco, respeitador das Leis e pagador de impostos. Ambos, muito oportunos.

Franco Meneghatti
Engenheiro e empresário agroflorestal, com propriedades no entorno da região da Pedra Azul

Parabéns pela grande contribuição que o Dia a Dia Pedra Azul vem dando para a nossa região.

Marco Grillo
Vereador do Município de Venda Nova do Imigrante

Gostei muito do texto sobre a origem dos Conventions Bureaux. E fico grata por terem enviado o conteúdo original. Como trabalho nessa área aqui no Sul, vou utilizar este material em futuras ações.

Zeni Rates
Jornalista especializada na divulgação do turismo no Estado de Santa Catarina

Uso esta publicação para externar minha admiração pelo excelente trabalho que o Leonardo Tristão, correspondente da Região de Montanhas do Estado do Espírito Santo junto à Rádio CBN, vem fazendo no espaço que tem naquela emissora.

Marcelo Alvarenga
Advogado em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo

Páginas 4 e 5

Miss Turismo Rio Grande do Sul — Miss Conesul — Miss Mercosul

Envolvimento das comunidades é um dos pontos fortes nas três promoções

Texto de João Zuccaratto

Miss Turismo Rio Grande do Sul, Miss Cone Sul e Miss Mercosul são três eventos de beleza muito simpáticos, realizados simultaneamente a cada ano, com uma organização ímpar. E eles, realmente, envolvem toda a comunidade do Estado gaúcho. Só para dar um exemplo, em diversos Municípios cujas representantes vençam alguma das categorias, elas são recebidas com uma enorme festa. Têm direito até a desfilar de carro aberto pelas ruas das cidades, sendo aplaudidas e ovacionadas pelos moradores.
A edição de 2012 aconteceu no início de dezembro, em Bento Gonçalves, quando, durante três dias, cerca de 70 candidatas se revezaram em apresentações em que destacavam a cultura e os costumes das suas terras de origens. Depois de uma maratona de entrevistas, fotos, passeios, visitas e um sem número de preparativos, na última noite, após desfile com tom impecável, um júri especialmente convidado para isso definiu as vencedoras. Resultado que veio coroar o esforço de um ano, tanto das concorrentes quanto dos seus familiares.
Tudo isto acontece sob a supervisão e o controle de Geny Rayo — experiente promotora nesta área, uma vez que já caminha para 25 anos à frente de diversas modalidades de concursos de beleza — e de sua competente equipe de auxiliares. E, é claro, com o apoio de uma miríade de patrocinadores que, a cada edição, não se furtam de associar seus produtos e serviços ao que já é considerada uma marca de sucesso na promoção e divulgação das belezas turísticas tanto do Sul do País quanto do resto do Brasil.
Este conjunto de eventos tem acompanhamento constante da mídia local, antes, durante e após os acontecimentos. Tudo o que acontece é seguido momento a momento pelos sites Amigos do Turismo e Bastidores da Fama. O desfile de encerramento foi transmitido ao vivo pelo canal de televisão da Câmara de Vereadores do Município de Passo Fundo. Além disso, a presença de vários colunistas sociais na comissão de jurados amplia bastante a repercussão dos mesmos, uma vez que são titulares de espaços em diversos jornais do Estado.

Relações das vencedoras

Miss Mercosul

• Mirim
Ana Carolina Nalin Machado
Município de Passo Fundo

• Infantil
Caroline Mignotti
Município de São Borja

• Adulta
Evellin Vilella
Município de Guaporé

Miss Conesul

• Mini
Eduarda Junqueira Rosa
Município de Taquari

• Mirim
Júlia Brair
Município de Passo Fundo

• Infantil
Rayanne Marcelle Araújo Silva
Município de João Pessoa
Estado da Paraíba

• Infanto-juvenil
Rafaela Marini
Município de Caxias do Sul

• Juvenil
Bruna Luíza Mora
Município de Santa Cruz do Sul

• Adulta
Ione Sousa da Silva
Município de Jataí
Estado de Goiás

Miss Turismo Rio Grande do Sul

• Baby
Sarah Betina da Costa
Município de Santa Cruz do Sul

• Mini
Maribel Santos Silveira
Município de Taquari

• Mirim
Nycole Carmile Ortiz
Município de Santa Cruz do Sul

• Infantil
Nadine Gomes Arend
Município de Santa Cruz do Sul

• Infanto-juvenil
Catiúscia Danieli Page
Município de Santa Cruz do Sul

• Juvenil
Mariana Souque Soares
Município de Santa Maria

• Adulto
Bárbara Michel Muraro
Município de Gramado
Uma novidade interessante é que todo o desenrolar dos eventos foi também transmitido em tempo real via ambiente Web, a partir de uma sala virtual montado pelo Instituto Eckart de Educação Tecnológica.

A realização contou com os seguintes patrocinadores e apoiadores

Andreaz Tricot
Art Informática
Bento Gonçalves Convention Bureau
Calçados Piccadilly
Caminhos de Pedra
Casa Bucco Destilaria
Casa das Pedras
Curso Universitário
Dall’Onder Grande Hotel
Dardo Produções e Filmagens
Dream Land Museu de Cera
Everest Porto Alegre Hotel
Flight Escola de Aviação
Florybal de Gramado
Giordani Turismo
Hotel Pousada Kaster
Instituto Eckart Educação Tecnológica
MK Assist
Piá Cooperativa
Prefeitura de Bento Gonçalves
Sabor do Vale Restaurante
Sabor Orgânico Produtos
Secretaria Turismo Rio Grande do Sul
Sindicato Hotéis Região  Uva e Vinho
Site Amigos do Turismo
Versant Água Mineral
Vila Ventura
Vinotage Cosméticos

A viagem a Bento Gonçalves para conhecer e acompanhar a edição 2012 do Miss Turismo Rio Grande do Sul, Miss Conesul e Miss Mercosul aconteceu a convite do site Amigos do Turismo, de Porto Alegre, com apoio do Sindicato dos Hotéis da Região da Uva e do Vinho — em especial, o Dall’Onder Hotel.

Páginas 6 e 7

Arte do Bonsai

Miniatura de árvore como imagem do amadurecimento humano em sociedade

Bonsai é uma palavra japonesa: “bom” significa “vaso”; “sai”, “árvore”. Assim, é traduzida por “árvore numa bandeja”. É uma arte que se expressa por plantas em miniatura que possuem todas as marcas de crescimento e envelhecimento de um vegetal normal. Durante anos e anos, raízes e galhos são podados e tronco e copa são moldados em um ser adulto com proporções reduzidas.

Não faz muito, enquanto dava minha caminhada matinal pelas areias da Praia de Camburi, em Vitória, conversando comigo mesmo, me perguntei o que os orientais quiseram expressar quando criaram o que é hoje conhecido como a “arte do bonsai”. Por que pegar a muda de uma árvore e, ao longo dos anos, com técnicas especiais, impedir que atinja o tamanho normal, transformando-a numa linda miniatura.

Não sei se por, há alguns anos, ter entrado em um processo em que, a cada dia, me conheço mais, um insight iluminou minha mente tal qual o Sol clareava o dia. Aquilo nada mais é do que a representação da trajetória do homem na sua vida em sociedade. Tal qual uma árvore, ao nascermos, estamos prontos para crescer sem barreiras. Os limites impostos pela convivência com os outros vão bloqueando isto dia a dia.

Fazendo uma pesquisa na Internet em busca do significado de “bonsai”, não encontrei nada similar a esta minha síntese. As explicações se atêm apenas ao aspecto que se vê. Fala-se que, quem o pratica, tem aumentada a percepção dos seus pensamentos e o autoconhecimento. E, é claro, não faltam as conotações filosóficas e religiosas. Bom, mesmo diante de pouco o que li, continuo a confiar na elaboração que alcancei.

Ainda mais diante do que encontrei, aqui e ali, sobre este curioso legado que hindus, chineses e japoneses deram ao mundo há milênios. Deixando de lado os aspectos técnicos da, digamos, “construção” de um bonsai, e ficando apenas com os significados abstratos a eles associados, fica clara a semelhança entre criar uma planta limitada a um vaso com o amadurecimento humano no contato com seus semelhantes.

Abaixo, um resumo de ideias e conceitos associados à Arte do Bonsai que, me parecem, justificam esta minha tese

n    Primeiro, o fundamental conceito “bonsai-do”. Em japonês, as palavra “do” — pronuncia-se “dô” — tem, em suas primeiras acepções, sentidos de “direção, caminho, trajeto”. A interpretação mais profunda nos remete a um “caminho para o interior do eu”.

n    Depois, dela ser a única arte dominada pelos homens que está atrelada a quatro dimensões: altura, comprimento, largura e a própria vida — ou “tempo” como querem outros, uma vez que os bonsais variam com o passar dos anos.

n     No Japão, diz-se que um bonsai é iniciado por alguém cujo filho continuará o treinamento, para ser apreciado pelo neto. E concluem expressando: seremos imortais à medida que nossos bonsais sejam apreciados e cuidados por terceiros.

n     Primeiras referências a esta arte são anotados na China, três séculos antes de Cristo: uma mulher que carrega um bonsai com as duas mãos e um homem que sabia criar em uma bandeja uma impressão de imensidade num pequeno espaço.

n     No Japão, do século XVII ao XIX, houve grande interesse tanto pelos bonkei — paisagens sobre bandejas —, quanto pelos bonsai. Os primeiros, resumem a natureza: água, montanha, areia, vegetação. Os segundos, o ser, a criatura.

n     Paul Claudel, embaixador francês no Japão, admirado diante de um bosque de Acer — árvore de folhas caducas, comum naquele país —, trabalhados em bonsai, explicou que não podia deixar de imaginar-se a si mesmo em daqueles Acer.

n     Apesar de estar no mundo todo, é difícil para nós, ocidentais, percebermos as dimensões contidas na prática da arte do bonsai. Já os orientais ali encontram valores e aspectos de espírito onde a existência é capaz de estender-se além do eu.

n     Ao lado dos arranjos florais, os japoneses usam bonsais para adornar o que chamam de “tokonoma” — altares presentes nas casas de família. Ali colocados, expressam um ato de culto ao mais profundo sentido espiritual da vida.

n     Qualidades tais como humildade, observação, perseverança, determinação e disciplina são tão preponderantes em nossas vidas como o são para se ter sucesso no aprimoramento de um bonsai — o que exige longos anos para ser alcançado.

n     Todo bonsai está integrado à forma de um triângulo, com uma das pontas representando a terra, outra o homem e a terceira, Deus. Ele faz a união dos três, concretizando a alegoria de conduzir o homem pela rota do espiritual.

n     Bonsais têm o “wabi” do taoismo — com sentido literal de pobreza mas, em termos intelectuais e artísticos, encontra-se em pessoas que não caem em complexidades de expressões adornadas em excesso, ou de pomposidade na autoestima.

n     Ainda dentro do taoismo, trazem também o “sabi” — que denota solidão, graça pessoal. Mas, em termos estéticos, é mais amplo, trazendo elementos vinculados a tempo. Pode-se dizer que sabi é a graça combinada com a antiguidade.

Página 8

Memória do Desenvolvimento e Profissionalização do Turismo

Brasileiros demoram um século para criar o seu primeiro conventiou bureau

Pesquisa e texto final de João Zuccaratto

Apesar do primeiro Convention Bureau do mundo ter sido criado na cidade de Detroit, nos Estados Unidos, em 1896, no Brasil este tipo de entidade voltado a profissionalizar o processo de captação de eventos é bem recente. E isso ocorreu quase um século depois, pois foi apenas em 1983 que surgiu uma iniciativa concreta neste sentido, quando do nascimento do São Paulo Convention & Visitors Bureau.
Os empresários paulistas acabaram sobressaindo-se aos seus colegas do Rio de Janeiro, pois as conversas iniciais sobre o tema aconteceram na capital fluminense. Aristides de la Plata Cury, pioneiro do setor e executivo da entidade paulista, diz que aquelas discussões, apesar de infrutíferas no momento, foram influenciadas por dois fatores. Um deles era que a sede da Empresa Brasileira de Turismo, a Embratur, estava lá.
O outro, talvez até mais importante que o primeiro, foi o empenho da Viação Aérea Rio-grandense — Varig, interessada no aumento do fluxo de visitantes estrangeiros. Ele ressalta que, naquele período, aquela voadora detinha a exclusividade na exploração das rotas internacionais entre as empresas de capital nacional. Mas, se perderam a primazia, os cariocas deram a volta por cima e criaram o seu no ano seguinte.
Ficou claro para os empreendedores da Cidade Maravilhosa que aquela era uma ferramenta decisiva para potencializar os atrativos de um destino já bastante conhecido, tanto nacional quanto internacionalmente. Daí em diante, mas vagarosamente, outros pontos da Nação ganharam seus Convention Bureax, como Brasília e as capitais Florianópolis, Fortaleza e Belo Horizonte, além de Blumenau e Petrópolis.
Para dar ideia deste tortuoso processo, em 1997 —101 anos após a criação dos norte-americanos e 14 depois da iniciativa paulista —, eram apenas oito em todo o País. Mas os ventos mudaram e, nos oito anos seguintes, o total foi multiplicado várias vezes. Em 2005, superamos 60 entidades e, em 2010, ultrapassamos 120. E a partir daí, o Brasil assumiu folgada liderança no ranking dos países que têm mais conventions.
Este boom de criação acontece após a instalação do Fórum Brasileiro de Convention Bureaux — depois transformado em Federação e, atualmente, Confederação — em 1998. Focando em planejamento estratégico e na importância dos centros de convenções, o setor foi ganhando espaço, tanto aqui dentro quando no cenário internacional. E passou a integrar os centros de decisão relacionados com o turismo.

Eventos como a Feira das Américas, promovida pela Associação Brasileira das Agências de Viagem — Abav, como nesta edição de 2011, no Rio de Janeiro, são promoções que atraem um quantidade significativa de expositores, profissionais, visitantes. E são decisivas para os resultados apresentados pela cadeia de negócios relacionados com o turismo ao final de cada ano. E elas têm tudo a ver com a atividade de um convention bureau

Página 9

Memória do Desenvolvimento e Profissionalização do Turismo

Capixabas inovam e criam um convention que representa o Estado como um todo

Pesquisa e texto final de João Zuccaratto

Em 1997, um grupo de empresários começou a se reunir com a intenção de instalar um convention & visitors bureau no Espírito Santo. Durante um ano, debateram e planejaram, persistindo no ideal. Para auxiliar na empreitada, o então executivo do São Paulo Convention, Eduardo Sanovicz, veio ao Estado e forneceu todas as informações necessárias para o pontapé inicial da fundação. Sete empresas e entidades pegaram a causa e foram instituidoras: Grupo Itapemirim, Cesan, Escelsa, Grupo Buaiz, Aderes, Baneses Club e Bandes.
O Sebrae — tanto o nacional quanto o local — teve também participação fundamental na organização e estruturação da entidade, assim como o Governo do Estado e a Prefeitura de Vitória. E aí veio uma novidade, talvez de âmbito mundial. Em vez de estar limitado a uma cidade — como a capital —, como seus congêneres até aquele momento, surge o Espírito Santo Convention & Visitors Bureau. Ele, como seu próprio nome demonstra, foi criado com a função de estimular e incrementar o fluxo turístico em todo o território capixaba
Órgão de apoio e dinamização junto ao mercado e aos setores ligados a esta indústria — atraindo congressos, encontros, seminários e promoções similares, locais, nacionais ou internacionais —, ganhou espaço e mostrou força e trabalho. Em pouco mais de uma década de atuação, é tão respeitado quanto instituições de trajetórias centenárias. E sua atuação lhe rendeu o reconhecimento do setor. A par das captações, conduz seminários, encontros e projetos que ajudam no fortalecimento do segmento e na profissionalização dos trabalhos realizados.
O envolvimento em projetos como os dos produtos turísticos do Estado, a regionalização dos investimentos, as pesquisas de fluxo e a participação em feiras, além de apoio a iniciativas de seus mantenedores, foram fatores decisivos para alcançar a visibilidade que a entidade exibe. Seu profissionalismo o tornou grande concorrente de entidades similares quando busca eventos até no exterior. Para isso, conta com show case, vídeo de apresentação, folheteria customizável, bidding book e, é claro, uma equipe técnica altamente especializada.
Apesar da enorme desvantagem do Espírito Santo ainda não contar com aeroporto de primeiro nível, a infraestrutura já existente e os atrativos turísticos que os capixabas têm para mostrar são decisivos na tomada de decisão. Outra grande conquista do Espírito Santo Convention & Visitors Bureau é a realização anual da Qualieventos, a primeira e a maior feira de produtos, serviços e equipamentos para o turismo de negócios, o desenvolvimento de marketing promocional e a produção e organização de eventos em terras capixabas.

As cidades do entorno de Vitória, da capital do Estado do Espírito Santo — Serra, ao Norte; Vila Velha, ao Sul; e, Cariacica e Viana, a Oeste — têm se beneficado da atuação do Espírito Santo Convention & Visitors Bureau, com a atração de cada vez mais eventos para toda esta região

Página 12

Governo japonês faz justa homenagem a jornalista brasileiro sedidado em Curitiba

O jornalista Antônio Claret de Rezende foi agraciado por mérito, com “Raios de Ouro e Prata”, dentro da “Ordem do Sol Nascente”, condecoração do Governo japonês, em solenidade realizada no Consulado daquele país na cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná. Trata-se de importante reconhecimento pelo trabalho que o profissional brasileiro desenvolve na divulgação do dia a dia diplomático do Sul do País, através da sua newsletter mensal “Diplomacia & Turismo”, mas também fruto de uma trajetória ímpar que ele vem escrevendo ao longo de uma vida por feitos de grande relevância.

Antônio Claret de Rezende atuou no gabinete do ex-vice-governador Hosken de Novaes, foi consultor na Assembleia Legislativa — Casa em que também chefiou o Cerimonial —, diretor geral da Casa Civil do Poder Executivo estadual e assessor de Imprensa do Tribunal de Justiça. Todas posições que lhe proporcionaram formar vasta e valiosa rede de contatos, colocando-se à disposição dos cônsules para atuar como facilitador na aproximação com personalidades da política e da sociedade. Uma atuação que muito auxilia no fortalecimento da relação entre o japoneses e os brasileiros, por exemplo.

Além disso, Antônio Claret de Rezendo é membro da Associação de Ex-Bolsistas Brasil-Japão, cujos associados são pessoas que visitaram o Japão através de programas oferecidos por aquele país do Oriente, a convite ou através de bolsas de estudo ou de estágio. Tem sido o responsável pela edição do Boletim Informativo da entidade ao longo de 27 anos. Comparece ativa e regularmente aos mais diversos eventos promovidos pelo Consulado Geral do Japão em Curitiba, postando matérias sobre os mesmos nos órgãos de imprensa em que trabalhou e no indefectível newsletter “Diplomacia & Turismo” de sua autoria.